quarta-feira, 13 de julho de 2016

OFICINAS DE ROBÓTICA E LABORATÓRIO DE INFORMÁTICA EDUCATIVA




OFICINAS DE ROBÓTICA E LABORATÓRIO DE INFORMÁTICA EDUCATIVA

Estela Maris Sander[1]


Nas oficinas de Robótica Educacional, Escola de Tempo Integral, tem acontecido aulas com planejamentos pedagógicos realizados em parceria com a coordenação pedagógica, a professora do Laboratório de Informática Educativa e o professor regente de Robótica, considerando a necessidade de realizar aulas criativas, na perspectiva sociointeracionista, tendo como base atividades de leitura, pesquisa, raciocínio lógico, programação, construção prática de protótipos e uso de outros aplicativos buscando estabelecer relações acerca dos conhecimentos sobre tecnologia. Os objetivos destas aulas caracterizadas pela docência compartilhada são: apresentar, através dos recursos disponíveis no LIE, situações motivacionais para o estudo de Robótica, estimular a pesquisa, seleção de imagens e vídeos com informações sobre o assunto, favorecendo o acesso às informações conceituais com o uso das tecnologias de maneira a permitir aos educandos a construção do conceito de robótica e as contribuições desta tecnologia para as diversas áreas de atuação humana: medicina, engenharias, comunicação, mercado financeiro, indústria, esporte e educação. Destacamos como ponto positivo destas aulas, em relação aos estudantes, o uso de diferentes espaços e o laboratório de informática, o qual aproxima o conhecimento teórico sobre tecnologia com o seu uso prático de maneira interativa, favorecendo ao desenvolvimento de habilidades e competências variadas como o posicionamento crítico através do diálogo e o exercício prático de trabalhar e interagir em pequenos grupos. E, em relação aos professores, a possibilidade de exercitar o planejamento pedagógico interdisciplinar em equipe com reorganização dos tempos e espaços escolas, ampliando o conceito de território educativo.

Palavras-chave: planejamento, interação, pesquisa, criatividade e tecnologia.



1.    INTRODUÇÃO


Este trabalho constitui-se num registro da experiência pedagógica apresentada pelos professores da Escola Municipal de Ensino Fundamental Engº Mansueto Serafini no Seminário Municipal de Educação denominado Conversações Pedagógicas – 3ª Edição no Eixo Temático, Docência Compartilhada/ Reorganização de Tempos e Espaços Escolares, organizado pela Secretaria Municipal de Educação de Caxias do Sul, na categoria Pôster, com o intuito de compartilhar as constatações positivas relacionadas à atuação docente pelos professores da Oficina de Robótica Educacional e Laboratório de Informática Educativa em parceria com a coordenação pedagógica dos anos finais no turno da tarde em 2015.
            Em dois mil e onze, a escola iniciou experiência com Oficinas de Robótica Educacional através do Programa Mais Educação do MEC, o qual atendia estudantes em turno contrário com oficinas pedagógicas e recreativas a fim de ofertar a ampliação do tempo de permanência dos mesmos em espaço escolar.
      O aprendizado significativo realizado pelos professores e educandos envolvidos no que se refere à construção de conceitos indispensáveis ao estudo das tecnologias e seu uso como aliado no desenvolvimento de aprendizagens, habilidades e competências relacionadas às diversas áreas do conhecimento motivou a escola a incluir em sua Matriz Curricular a Oficina de Robótica em 2014, quando a instituição passou a atender seus estudantes em Turno Integral. Desta forma, qualificando seu currículo escolar e oportunizando uma forma de reestruturação do mesmo de maneira que oferecesse aos seus educandos um espaço educativo criativo, interdisciplinar, atraente e voltado às possibilidades de uso mais ousado das tecnologias em sala de aula.
Os planejamentos pedagógicos das aulas tornaram-se difíceis e desafiadores, considerando o desconhecimento dos professores sobre o tema, o pouco acervo existente de materiais e os relatos de experiências significativas encontrados sobre o assunto, teoricamente distantes do nível exigido para principiantes no estudo de Robótica.
            Em pesquisas na Internet, foi possível encontrar textos em nível técnico superior com resultados de pesquisas bibliográficas do conhecimento científico ou vídeos com experiências isoladas sobre o trabalho com a temática em sala de aula, ou ainda registros de pesquisas já realizadas ou protótipos em fase de experimentação e/ou construção em vários países do mundo, muito distantes da realidade educacional brasileira, ainda na fase de explorar montagens com blocos lógicos ou protótipos industrializados em série.
Foi necessário investir nos conhecimentos relacionados às teorias de construção do conhecimento pedagógico existente e metodologias de trabalho criativo com enfoques interacionistas para viabilizar a sua efetivação nas práticas cotidianas de sala de aula, de maneira a explorar as contribuições tecnológicas para a educação e estimular as aprendizagens cognitivas e socioafetivas.
Com o intuito de contribuir com a construção de estratégias para encaminhar planejamentos pedagógicos significativos aos estudantes, a coordenação pedagógica passou a estimular o exercício de práticas de docência compartilhada entre o professor regente e o professor referência do Laboratório de Informática Educativa da escola, desta forma construindo parceiras educativas para ambos e facilitando a reorganização dos tempos e espaços escolares com os recursos humanos e materiais disponíveis, pois não havia ninguém na escola e nem tão pouco na Rede Municipal de Ensino com especialização acadêmica em Robótica Educacional.
O exercício da profissão contribuindo para a formação profissional permanente dos docentes que aceitaram o desafio de construir-se efetivamente no fazer pedagógico diário, através dos planejamentos e práticas cooperativas.


2.    DESENVOLVIMENTO

A caminhada pedagógica alinhavada pelos docentes da escola representa apenas o início de um trabalho que precisa ser fomentado e motivado pela coordenação pedagógica considerando as dificuldades enfrentadas e a pouca valorização da temática pelos demais profissionais que ainda não possuem a real dimensão da importância de realizar um trabalho sistematizado em Robótica Educacional pelo desconhecimento das contribuições que este projeto educacional pode construir para o desenvolvimento das aprendizagens dos estudantes, construção da autoestima e desenvolvimento tecnológico da educação e do país em longo prazo, se planejado e encarado como possibilidade de estímulo à criatividade e motivação para aprendizagens imediatas, pois as dificuldades encontradas estimulam os questionamentos e as buscas com  colegas e professores, e,  futuras como realização de cursos profissionalizantes e visão de construção científica do conhecimento estimulada nos diferentes espaços escolares do Ensino Fundamental.
 As transformações econômicas, sociais e políticas ocorridas nas últimas décadas mudaram profundamente as relações das pessoas com o conhecimento e atuação profissional, estimuladas pelo avanço acelerado das TICS–Tecnologias da Informação e Comunicação impulsionando consequentes mudanças na educação. Dentre estas alterações observa-se um perfil de estudantes diferentes: questionador, ativo e que não se contenta somente com uma metodologia de aula centrada no livro didático, quadro, giz e explicações dos professores.
 Os educandos de nosso tempo exigem a competência criativa diária dos docentes. Os usos dos recursos tecnológicos na sala de aula se fazem presentes como um aliado dos mesmos para dinamizarem suas práticas e potencializar as aprendizagens através do uso de várias mídias. Assim, a internet agiliza as informações e favorece o acesso a programas, aplicativos, planilhas, games e outras possibilidades que auxiliam no desenvolvimento das capacidades cognitivas das crianças e adolescentes. Nesta ótica, o trabalho com Robótica oportuniza um espaço inovador para explorar as ferramentas da informática de maneira diferenciada aliadas ao advento do conhecimento cada vez mais acelerado no mundo globalizado em que vivemos.
    Os planejamentos para as aulas de robótica contribuem em muito para o desenvolvimento das relações interpessoais, pois nas técnicas de diferentes formações de grupos oportunizam aos educandos interagir com os demais para a troca de ideias e conhecimentos e na própria organização com o uso dos materiais disponíveis, pois a escola não possui um computador ou tablet para cada estudante.
Por outro lado, os KITS de Robótica – Laboratório de Educação Tecnológica herdados do Programa Mais Educação – MEC, adquiridos com seus recursos, os quais estão no acervo pedagógico da escola para serem utilizados por pequenos grupos. No Laboratório de Informática Educativa, o uso dos computadores acontece em duplas considerando o número de máquinas disponíveis.  A utilização destes kits possibilita a democratização do acesso dos estudantes de escolas públicas a estas tecnologias, os quais não possuem recursos financeiros para comprar estes materiais, deixando de ser um privilégio apenas para educandos das escolas particulares.
O trabalho com o conceito em questão contribui para mudar o modelo de ensino centrado apenas no conhecimento e na autoridade do educador. Quando os estudantes, interagem estabelecendo relações entre aquilo que já sabem com aquilo que o colega disse, bem como, com as orientações do professor nos momentos em que trabalham com aplicativos ou na montagem dos protótipos seguindo o manual de orientações do fabricante, têm em suas mãos a possibilidade de opinar, decidir, problematizar questionando os colegas sobre o uso dos materiais adequados ou atitudes inadequadas estão exercitando a autoridade compartilhada entre professores, estudantes e o conhecimento formalmente sistematizado, de maneira simples e até sem a noção deste processo dialógico.
O Manual Didático Pedagógico do Laboratório de Educação Tecnológica- BRINK Robótica, adquirido pela escola cita a relação entre robótica pedagógica e as transformações decorrentes para a educação de um modo geral:
A robótica- um conceito que surgiu na Antiguidade, mas que só foi nomeado no século 20- assimilou nas últimas décadas uma aplicação jamais sondada pelos filmes da ficção científica: a educação.
 A nova corrente da robótica pedagógica adentra o século 21 com a promessa de consolidar, enfim, uma transformação da vida escolar há anos sonhada pelos teóricos contemporâneos da educação.
Lúdica, transdisciplinar e desafiadora, a construção de robôs na escola convida professores e alunos a ensinar/ aprender/descobrir/inventar em processos coletivos, capazes de conectar abstração e mundo concreto. (Solek, 2010, p.6)

             Nas oficinas de Robótica Educacional, as quais se constituem parte integrante da Matriz Curricular na realidade da Escola de Tempo Integral, tem acontecido aulas com planejamentos pedagógicos realizados em parceria com a professora do Laboratório de Informática Educativa e o professor de Robótica considerando a necessidade de realizar aulas com planejamentos criativos na perspectiva sociointeracionista em conjunto com a coordenadora pedagógica dos Anos Finais do Ensino Fundamental, tendo como base atividades de leitura, pesquisa, programação e construção prática de protótipos e uso de outros aplicativos buscando estabelecer relações acerca dos conhecimentos sobre tecnologia e suas contribuições para as diversas áreas de atuação profissional humana, reduzindo riscos para o homem, diminuindo custos e qualificando serviços que variam desde a realização de um exame clínico, a construção de um edifício ou realização de um espetáculo cósmico, para exemplificar.
            Todos estes conhecimentos discutidos e pesquisados em sala de aula ampliam o foco de discussão sobre o uso das tecnologias, tornando-as mais atrativas e contribuindo para a construção de um currículo vivo, significativo e sensível ao seu tempo histórico presente com visão de futuro.  Também, coloca os estudantes como centro do currículo, reconhecendo-os como sujeitos inventivos, participativos, cooperativos e produtores do conhecimento na medida em que são estimulados a emitirem opiniões e participarem do processo de organização e reorganização de conceitos.
            Do ponto de vista relacional do conhecimento formal sistematizado e da construção cognitiva e socioafetiva, pode-se afirmar que nas oficinas de Robótica, os sujeitos estão exercitando os pilares da educação, “definidos no Relatório Delors (UNESCO): aprender a ser, aprender a conviver, aprender a conhecer e aprender a fazer.” (MEC, 2014)
      O Manual Operacional de Educação Integral do Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2014, referencial pedagógico norteador para o trabalho das escolas ampliando as possibilidades de aprendizado dos estudantes em Robótica Educacional sinaliza as possibilidades e objetivos gerais para o trabalho de sala de aula na perspectiva da formação integral dos educandos com a seguinte redação:

Objetiva preparar os estudantes para montar mecanismos robotizados simples baseados na utilização de “kits de montagem”, possibilitando o desenvolvimento de habilidades em montagem e programação de robôs. Proporciona um ambiente de aprendizagem criativo e lúdico, em contato com o mundo tecnológico, colocando em prática, conceitos teóricos a partir de uma situação interativa, interdisciplinar e integrada. Permite uma diversidade de abordagens pedagógicas em projetos que desenvolvam habilidades e competências por meio da lógica, blocos lógicos, noção espacial, teoria de controle de sistema de computação, pensamento matemático, sistemas eletrônicos, mecânica, automação, sistema de aquisição de dados, ecologia, trabalhos em grupos, organização e planejamento de projetos. (MEC, 2014, p.10)

           Os objetivos destas aulas caracterizadas pela docência compartilhada são: apresentar, através dos recursos disponíveis no LIE, situações motivacionais para o estudo de Robótica, estimular a pesquisa, seleção de imagens e vídeos com informações sobre o assunto, favorecendo o acesso às informações conceituais com o uso das tecnologias de maneira a permitir aos alunos a construção do conceito de robótica e as contribuições desta tecnologia para as diversas áreas de atuação humana: saúde, engenharia, comunicação, sistema financeiro, esporte, educação, comércio e indústria e outras.
            Além do planejamento pedagógico com o diferencial metodológico da docência compartilhada, a exploração de diferentes espaços educativos facilitam comportamentos que contribuem para a formação de hábitos e atitudes disciplinares com as pessoas e com o uso organizado do espaço e dos materiais disponíveis para cada aula.  As oficinas ocupam salas de aula, salas de vídeo, biblioteca, LIE, salão da escola para testar a montagem dos projetos e os recursos oferecidos pelo território educativo como visitas às empresas que usufruem de processos robotizados permitindo aos educandos diferenciar robótica educacional e robótica industrial. Numa linguagem coloquial: as coisas que podem ser construídas na escola e as coisas que podem ser construídas numa indústria, pois as condições são diferentes, porém ambas com significativa importância.
            As habilidades descritas nos Referenciais da Educação da Rede Municipal de Ensino de Caxias do Sul, Caderno 3, elencados principalmente nos componentes curriculares: Ciências da Natureza e História  são um referencial teórico  de grande valia para os docentes que atuam nas oficinas de Robótica, cujas habilidades podem ser exploradas paralelamente às atividades desenvolvidas ao longo do ano, considerando a necessidade de construção da aprendizagem  deste conceito estar alicerçada no tripé: oralidade, escrita e experimentação concreta. Segue algumas habilidades selecionadas pelos professores envolvidos:

-Reconhecer e inter-relacionar, de forma correta, o legado científico dos egípcios para a sociedade atual;
-Compreender, de forma adequada, os fatores sociais, políticos, econômicos e religiosos da Revolução Industrial e seu significado histórico;
-Analisar os fatores que permitiram o pioneirismo industrial inglês;
-Refletir sobre as consequências sociais da Revolução Indústria
 (condições de trabalho e de vida e exploração dos trabalhadores);
-Compreender as teorias sociais e econômicas que surgiram no contexto da Revolução Industrial como o liberalismo econômico e o socialismo;
-Diferenciar as principais etapas da produção de mercadorias (artesanal, manufatureira e mecanizada);
-Comparara diversidade das formas de produção do mundo atual inter-relacionados com as do século XVIII;
-Distinguir, comparar e compreender os conceitos de manufatura e maquinofatura;
-Compreender as mudanças no cotidiano das pessoas com a mudança do trabalho do campo para a fábrica;
-Identificar, reconhecer e localizar, de forma correta a Segunda Revolução Industrial, analisando suas características;
-Identificar e descrever as novas tecnologias, o aumento da capacidade produtiva das indústrias e o aprimoramento das formas de industrialização;
-Reconhecer o predomínio do mundo industrializado sobre as demais áreas do planeta;
-Apontar, de forma pertinente, alternativas naturais e tecnológicas para a preservação do meio ambiente;
- Registrar adequadamente informações sobre danos ambientais provocados pelo consumismo de objetos descartáveis e/ou desperdício de matérias-primas. (SMED- Caxias do Sul, 2010)


             Os professores destacam a visitação realizada por todos os estudantes dos Anos Finais no Evento Mecatrônica - 2015, no qual assistiram palestra com vídeo institucional, presenciaram a organização dos setores, conheceram equipamentos e puderam manusear algumas máquinas com a orientação dos educadores da instituição, conforme fotos anexadas a este artigo. Também, foram informados sobre os cursos técnicos oferecidos no educandário e as parcerias sociais e econômicas, as quais permitem o funcionamento dos projetos realizados.
            Em robótica educacional, o trabalho constante com o conhecimento e sua adequação a cada etapa do trabalho realizado permite a transcendência das relações interativas, pois permita aos envolvidos detectar problemas, dialogarem para construírem estratégias a fim de resolverem as dificuldades apresentadas e, caso não aconteça o esperado, reiniciar todo o processo avaliando tomadas de decisões e opiniões dos colegas, preferencialmente com respeito às normas de convivência do grupo nos diferentes espaços e às orientações iniciais dos professores.
            Os planejamentos realizados para sala de aula envolveram os seguintes conceitos/tópicos do conhecimento: programação / a programação presente no dia a dia através do uso das tecnologias (eletrodomésticos, celulares, tablets, vídeo games, aplicativos, jogos virtuais e outros); eletricidade/ energia solar e eólica; tecnologias/ trabalho/cidadania/ relação de poder; revolução industrial/ automação/ geração de empregos/ mão de obra qualificada; capitalismo/ consumismo/ reciclagem; trabalho em equipe.
            O papel do professor nas aulas de Robótica, além de conceber todos os estudantes como seres aprendentes com capacidades singulares e diferenciadas, é mediar, coordenar junto aos sujeitos a busca pelo conhecimento, as aprendizagens e os princípios de convivência para que todos possam atuar nos trabalhos grupais de maneira positiva através de distribuição de tarefas, usufruindo dos materiais disponíveis e dos equipamentos de informática disponíveis.
Numa linguagem pedagógica objetiva, podemos dizer que Robótica Educacional é sinônimo de criatividade, desafio, conhecimento científico sistematizado, uso das tecnologias da comunicação, uso da informática, montagem e construção de protótipos com projeto de educação tecnológica e programação dos mesmos. Trabalhar com Robótica permite estabelecer links interdisciplinares com conceitos das mais variadas áreas do conhecimento explorando filmes, vídeos demonstrativos de protótipos no you tube e pesquisas na internet.


3.    CONCLUSÃO

            Analisando a caminhada pela escola e o foco pedagógico de 2015 em Robótica, destacamos como pontos positivos destas aulas, em relação aos estudantes, o uso de diferentes espaços, principalmente o laboratório de informática, o qual facilitou a mobilidade e a aproximação do conhecimento teórico sobre tecnologia com o seu uso prático de maneira cooperativa e interativa entre educandos e, também, dos educadores e destes entre si, favorecendo ao desenvolvimento de habilidades variadas como a leitura de imagens, o raciocínio lógico, a pesquisa de vídeos e textos diversificados, o posicionamento crítico através do diálogo com seus pares e o exercício prático de trabalhar e interagir em pequenos grupos no cotidiano escolar.
             Em relação aos professores, a possibilidade de exercitar o planejamento pedagógico interdisciplinar em equipe, estabelecendo as relações cognitivas e conceituais indispensáveis para coordenar um trabalho prático de construção do conhecimento podem ser considerados os aspectos mais relevantes.
            Num outro enfoque, considerando que os profissionais que trabalham com Robótica possuem formação docente em áreas diferentes do conhecimento, esta habilidade diversa permite a integração dos conhecimentos tecnológicos com links interdisciplinares diversos dependendo do conjunto de conhecimentos que cada profissional possui do componente curricular em que atua. Em História, por exemplo, permite estabelecer relações como a Revolução Industrial e suas consequências para a organização mundial do trabalho e a criação de novos empregos e/ou extinção de outros em função dos avanços da Robótica na Indústria. O professor de Ciências da Natureza poderá abordar com maior facilidade o uso da Robótica nos tratamentos de saúde, como realização de exames e processos cirúrgicos facilitando o exercício da Medicina e o bem estar das pessoas melhorando a sua qualidade de vida em tratamentos prolongados.  O professor de Arte poderá usufruir do conceito em questão para explorar o trabalho em grupo na construção de protótipos com sucatas ou no trabalho com desenhos de projetos criativos de brinquedos ou aparelhos eletrônicos. O professor de Língua Inglesa poderá explorar o uso do vocabulário presente em games, aplicativos ou programas de informática presente no dia a dia das pessoas. Em Língua Portuguesa, os docentes poderão explorar os conhecimentos pesquisados para elaboração de relatórios ou produção de slides que demonstrem criativamente com efeitos especiais as informações significativas através de imagens selecionadas em pesquisas digitais. Em Matemática, poderá ser trabalhado os conceitos matemáticos como ângulos, medidas e graus necessários em noções de programação. Em Educação Física, a possibilidade de realizar danças com movimentos robotizados favorecendo as práticas corporais recreativas, a pesquisa de próteses robóticas que auxiliam os movimentos humanos em pessoas com comprometimento físico ou deficiências melhorando a qualidade de vida ou outras possibilidades dependendo da criatividade de cada profissional.
            O exercício docente compartilhado em Robótica Educacional se tornou duplamente desafiador e inovador por permitir o trabalho com um conceito pouco explorado e uma metodologia profissional ainda, raramente utilizada pelos educadores nos Anos Finais do Ensino Fundamental, mais comumente utilizada nos Anos Iniciais, a qual facilita a pesquisa e desacomoda o profissional empenhado em trabalhar com a construção do conhecimento criativo e cooperativo em sala de aula.
            Conhecimento, pesquisa, interação, uso das tecnologias com criatividade e planejamento interdisciplinar orientado constituem-se num referencial teórico norteador do ponto de vista do conhecimento tecnológico e didático para o sucesso com o trabalho docente em Robótica Educacional no ambiente escolar explorando todos os espaços disponíveis na estrutura institucional.
            Trabalhar com Robótica Educacional estando aberto para o conhecimento, as vivências humanas e a quebra de paradigmas cristalizados da formação pedagógica tradicional constituem-se num espaço ímpar de formação profissional continuada e satisfação pessoal para qualquer educador, independente da área de formação acadêmica, que se sinta disposto a ser feliz trabalhando no cotidiano escolar com os estudantes e colegas de trabalho.
            Por outro lado, para que o trabalho pedagógico com Robótica Educacional consolide um papel inovador em educação é necessário um investimento humano especializado em assessoria pedagógica e administrativa em parceria com as universidades locais, o qual integre os diferentes saberes e instrumentalize os docentes na área de informática e, de um modo geral, na construção de projetos coletivos, para que suas práticas não se constituam em experiências isoladas e os estudantes sintam-se estimulados e orientados para continuarem inventivos em todas as áreas do conhecimento/componentes curriculares como consequência dum processo realizado de maneira organizada e sistemática.

4. ANEXOS:

     Fotos do acervo pessoal de Regina Cansan

           




5.    REFERÊNCIAS

 BRASIL. Ministério da Educação. Manual Operacional de Educação Integral. Brasília, 2014, p.6. Disponível em http://portal.gov.br/dmdocuments_educ_integral.pdf. Acessado em março, 2016.

CAXIAS DO SUL. RS. Secretaria Municipal da Educação. Referenciais da Educação da Rede Municipal de Caxias do Sul – Caderno 3. Caxias do Sul, 2010.

COLL, C. Aprendizagem escolar e construção do conhecimento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

PAPERT, Seymour. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

PAPERT, Seymour. Logo, computadores e educação. São Paulo: Brasiliense, 1985.

SOLEK, José Rosni et al. Coleção Brink Robótica- Laboratório de Educação Tecnológica – Roteiro Exploratório. Curitiba, 2010, p.10.




[1]Estela Maris Sander. Redatora do Artigo; Formação em Magistério, Letras, e Especialização em Psicopedagogia Escolar, na função de Coordenação Pedagógica na E.M. E. F. ENGº Mansueto Serafini.estelamsander@gmail.com
*Regina Cansan. Interlocutora do Projeto; Formação em Magistério, Letras, e Especialização em Psicopedagogia Escolar e Informática Educativa, na função de professora do Laboratório de Informática Educativa na E. M. E. F. ENGº Mansueto Serafini. rgncansan83@gmail.com
*Renan Fernando Guizzo. Interlocutor do Projeto; Formação em História e Especialização em História Regional na função de professor de Robótica na E.M. E. F. ENGº Mansueto Serafini. renanede@terra.com.br