sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Robótica Educacional e Autoridade Compartilhada

Quando chega outubro e começam a falar no  Dia do Professor, lembro-me com carinho da minha primeira professora lá em Lagoa Vermelha, na Vila Gaúcha, na E.M. PROFª Delfina Loureiro e da cartilha Um Domingo de Sol. Eu e certamente a maioria dos meus colegas não conhecíamos o mar. Estávamos sendo alfabetizados com uma cartilha com vários contos, os quais detalhavam cenas de um passeio de uma família tradicional de classe média e todos encantados com as aventuras descritas nos pequenos textos. Porém não sabíamos  que a nossa professora nos proporcionaria uma maravilhosa aventura em sala de aula. Numa tarde entramos e vimos no fundo da sala um cantinho da praia ilustrada semelhante às histórias que estávamos lendo. Tinha quase tudo: areia, guarda-sol, roupa de praia, bola, cesta com lanches e outras coisas. No  momento em que iniciei o trabalho com a oficina de robótica educacional no Programa Mais Educação - MEC/SMED -Caxias do Sul pude me ver novamente olhando para o fundo da sala de aula. Porém,  não era mais para trás e sim para frente, pois trabalhar com o conceito de robótica educacional permite ao professor ter que olhar para o trabalho realizado como algo que pode ser refeito e deve ser reavaliado, pois tem que desprender -se constantemente da posição de ensinante para tornar-se aprendente da partilha de opiniões, ideias e tomada de decisões. Acredito que a minha  professora de primeiro ano não tinha especialização e, quarenta anos atrás, desconhecia muitas das abordagens teóricas do conhecimento que ilustram os momentos de formação profissional do momento, nem conhecia um laboratório de informática educativa, mas de maneira sábia, simples e criativa proporcionou a mim e aos meus colegas a nossa primeira oportunidade de conhecer a praia e acredito que, para muitos, até hoje, foi a única possibilidade que tiveram para serem apresentados a esta realidade. Teoricamente distante desta época, é possível reportar-me a ela com carinho e respeito, pois deixou marcas significativas na minha formação.  Comparo-a com uma reportagem em que relata;" Desenhos de crianças  viram robôs de verdade na Bélgica', visto que uma parceria naquele país com estudantes universitários projeta um trabalho organizado com visão ampliada de educação explorando o conceito de robótica educacional e compreendo que em ambas as situações alguém conseguiu ousar, compartilhar aprendizagens, dar asas à imaginação e entrar numa aventura responsável, a qual permite a troca de saberes entre os envolvidos e a possibilidade de tentar o novo no sentido de fazer o que ainda não foi feito com significados e estímulos variados. A credito que em robótica educacional sempre é temporada oportuna para trazer a praia para a sala de aula  e reavivar o interesse dos alunos pelo conhecimento.