domingo, 9 de setembro de 2012

Concepções Teóricas do Conhecimento x Robótica Educacional

   Nas últimas décadas, as discussões sobre qualidade de ensino, pesquisas na área da educação e práticas pedagógicas mudaram o foco do ensino centrado apenas na relação professor x aluno e as relações entre alunos que não eram valorizadas adquiriram papel relevante para a realização de metas educacionais. Nesta ótica, é imprescindível considerar as seguintes concepções teóricas para abordar o trabalho com robótica educacional:
 "Tanto Piaget, quanto Vigotsky, Papert e Feuerstein, nos estudos epistemológicos de como a criança adquire o conhecimento, consideram os fatores do desenvolvimento cognitivo.
   Para Vigotsky, " a psicologia deve muito a Jean Piaget. Não é exagero afirmar que ele revolucionou o estudo da linguagem e do pensamento das crianças", influenciou a valorização da ação do sujeito como agente de sua aprendizagem quando desenvolveu o conceito de assimilação e acomodação, no qual o aprendiz formula hipóteses através da interação com objetos e reacomoda  informações que para ele têm significado.
   A estrutura cognitiva é construída em etapas e cada etapa incorpora as anteriores, dando-se a construção do conhecimento pela ação recíproca e interação do sujeito com os objetos (meio).
  Na robótica, esse processo de desequilibração ocorre com grande frequência, pois, ao projetar ideias  e interagir com objetos materiais, os alunos ressignificam conhecimentos que antes lhes pareciam verdadeiros, ou seja, novas ações surgem e desequilibram o conceito que antes era dado como verídico.
  O processo de aprendizagem concebido por Piaget é considerado na robótica educacional, porém a base piagetiana de desenvolvimento não leva em conta a interferência do outro, enquanto na robótica justamente acontece por meio das interações entre professores e alunos e, principalmente, entre alunos.
 A robótica educacional tem como requisito a interação entre os alunos, e para compreender, de forma ampla, esse processo de desenvolvimento no ambiente da robótica educacional, é importante entender o conceito de zona de desenvolvimento proximal (ZDP), concebido por Vigotsky. 
  Ambientes colaborativos, como o da robótica, podem contribuir para o desenvolvimento cognitivo à medida  que os trabalhos são desenvolvidos em grupo.
 Na construção de um projeto ou robô ocorre com grande frequência o desequilíbrio conceitual. Os alunos se defrontam com conceitos diferentes e, ao experimentá-los, concluem que não eram tão corretos para solucionar aquele determinado desafio.
 Pelo construcionismo de Papert se explica a possibilidade de aprendizagem por intermédio da experiência concreta, que é um dos recursos proporcionados pelas tecnologias atuais, muito diferente do que é utilizado na didática tradicional de sala de aula.
 A construção de um protótipo  num ambiente de robótica educacional  exige do aluno uma série de ações e atitudes que o fazem passar por processos de planejamento, desenvolvimento e depuração. É muito pouco  provável que  um aluno  construa um projeto em pouco tempo sem que erros e desafios aconteçam, pois, mesmo para um engenheiro ou técnico profissional, há necessidade de planejamento e estudo sobre desenvolvimento de projetos e, ainda assim, podem ocorrer imprevistos. 
 Exercícios de solução de problemas e a busca pela superação de desafios formam no aluno competências cognitivas que serão utilizadas por ele em diversas situações da vida". 
(SOLEK,  José Rosni et al. Coleção Brink Robótica. Curitiba: 2010, p.12 a 20)

Na citação seguinte, o professor e escritor Celso Antunes- Mestre em Ciências Humanas e especialista em Inteligência e Cognição-, salienta a necessidade do conhecimento dos professores em relação à aprendizagem e ao processo de desenvolvimento desta na mente humana. O conhecimento de diferentes abordagens teóricas de construção do conhecimento e/ou desenvolvimento da aprendizagem  permitirão condições favoráveis ao profissional que se dispor  trabalhar com robótica educacional, pois, além da ampliação do conhecimento teórico, permitirão que  o mesmo consiga estabelecer relações entre o conhecimento científico, as necessidades cognitivas dos alunos e o planejamento pedagógico relacionado ao conceito em questão, o qual possivelmente será concretizado com relevância significativa diante dos propósitos definidos no projeto de educação de sua instituição.

"Ensinamos nossos alunos em todos os níveis porque pretendemos construir em suas mentes alicerces epistemológicos (porque a escola é um lugar aonde se vai para aprender, e é por isso que os alunos a procuram), profissionalizantes e sociais. Por essa razão, todo professor, além de ser um especialista nos conteúdos que leciona, precisa saber como se processa a aprendizagem na mente humana e quais estratégias podem garantir uma aprendizagem significativa. Conhecer conteúdos sem saber a maneira de intermediar sua construção pelo aluno é como conhecer a fórmula de um remédio sem saber seus efeitos sobre a patologia para a qual foi criado".
(Antunes, Celso. Trabalhando Habilidades: construindo ideias- São Paulo: Scipione, 2001)